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Com aumento da renda, Brasil já é o terceiro maior consumidor de fralda descartável do mundo

Em cinco anos, mercado cresce 70%, desempenho superior ao registrado na América Latina, que foi de 50%

Mercado gigantesco explorado por uma comandada do Grupo Góis & Silva.

Acompanhe matéria que saiu no Jornal o Globo.

Edcarmen Ferreira da Silva, de 25 anos, mora no bairro de Apipucos, no Recife. Foi criada usando fraldas de pano. Lembra ainda hoje que, quando saía, a mãe fazia um reforço na “calça enxuta”, muito utilizada até o fim do século passado, e que tinha o poder de deixar o bebê sequinho. Edcarmen também recorreu às fraldas tradicionais para sua primeira filha, Beatriz Maria, de 4 anos.

— Naquela época, eu não tinha emprego. Dependia apenas do marido. E as fraldas descartáveis eram muito caras. Usava as de pano, e só apelava para as outras quando precisava sair com o bebê — conta a pernambucana.

Edicarmen usou fralda de pano com a primeira filha. Hoje gasta até R$ 150 com descartáveis para a caçula . Edcarmen é exemplo do processo de sofisticação do consumo no país. Hoje, trabalha como atendente numa empresa de call center, em Santo Amaro, próximo ao centro de Recife. Com isso, a renda da família dobrou — o marido trabalha numa empresa de colocação de toldos — e ela aposentou as fraldas de pano. A segunda filha do casal, Clara, de 2 anos, só usa fraldas descartáveis desde que nasceu.

— São muito mais práticas. Não perdemos mais tempo na beira do tanque de lavar roupa — afirma Maria do Carmo Ferreira, mãe de Edcarmen e que atualmente ajuda na criação das netas.

O mercado de fraldas descartáveis movimentou US$ 2,4 bilhões em vendas em 2013, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Em cinco anos, acumula 70% de expansão em valor. É desempenho superior ao registrado na América Latina, que foi de 50%, com US$ 6,7 bilhões em vendas no ano passado, e no mundo, com alta de 30%, totalizando US$ 39 bilhões.

— A demanda subiu e estimulou maior concorrência no setor. Em duas décadas, o preço médio caiu de US$ 1 por fralda para US$ 0,10. O Brasil já é o terceiro maior consumidor de fraldas descartáveis do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (que tem vendas de US$ 4,4 bilhões por ano) e da China (US$ 4 bilhões). Mas há espaço para crescer — explica João Carlos Basílio, presidente da Abihpec.

No Nordeste, volume de vendas  de Fralda descartável cresce 33%

A atendente Edcarmen compra oito pacotes de fraldas descartáveis por mês, destinando de R$100 a R$150 do orçamento para garantir o conforto da caçula. Segundo analistas, o processo de sofisticação de hábitos de consumo representa um segundo momento no ganho de renda e consequente aumento da classe média. A mudança ocorre em várias categorias, explica Giovanna Fischer, diretora de contas da Kantar Worldpanel, incluindo a de fraldas descartáveis:

— Primeiro, houve o acesso à categoria. Agora, verificamos a sofisticação desse consumo. Este ano, o consumo de fraldas descartáveis no país cresceu 14% em volume, na comparação com 2013. Em valor, a expansão é de quase 29%. Isso mostra aumento no que se gasta com o produto. O foco sai do preço e vai para benefício.

No Nordeste, o movimento é ainda mais evidente. Na região, o consumo de fraldas descartáveis subiu 13,6% em volume, perto da taxa nacional. Já em valor, o aumento foi de 33%.

— O Nordeste ainda tem muito potencial de crescimento, sobretudo em valor. Lá, o preço médio do pacote é de R$ 11,78, contra R$ 15,34 no Brasil — pondera Giovanna.

Para Ana Hubert, gerente sênior e especialista de varejo e consumo na PwC Brasil, o consumidor está cada dia mais exigente.

— Com o maior acesso à informação, ele compara marcas e preços, fazendo escolhas que garantam o melhor benefício — diz Ana.

A indústria está atenta aos passos do consumidor. E reforça investimentos em inovação e no aumento da capacidade de produção de Fralda descartável

 

POR GLAUCE CAVALCANTI / LETÍCIA LINS